Quando a tradução se torna uma muleta: repensando a dependência da língua materna nas aulas de línguas estrangeiras.
Palavras-chave:
aquisição de uma segunda língua, tradução, mediação da L1Resumo
Os professores de línguas estrangeiras enfrentam frequentemente um dilema prático: traduzir para a língua materna dos alunos é rápido, preciso e tranquilizador, mas será benéfico para a aquisição da língua? Com base em nove anos de experiência de ensino com estudantes universitários chineses, cuja língua materna é o mandarim, este artigo defende que a tradução frequente, especialmente quando se considera o objetivo da compreensão auditiva ou lectora, pode dificultar a aquisição de segundas línguas (ASL) ao interferir com processos psicolinguísticos fundamentais e ao reforçar rotas lexicais que mantêm a L2 dependente da mediação da L1. Com base na teoria da ASL, nos modelos de memória bilingue e na teoria da carga cognitiva, analisamos as evidências sobre o uso da L1 em sala de aula, a alternância de códigos/translinguística, os estudos de dicionários e glosas e a leitura/audição extensiva. A revisão apoia uma abordagem equilibrada: o uso pouco frequente e específico da L1 pode ser facilitador, enquanto a tradução habitual como compreensão produz um processamento superficial, baixa tolerância à ambiguidade e um desenvolvimento mais lento das conexões diretas entre a L2 e os conceitos. Sintetizamos essas descobertas numa pedagogia prática de «Prioridade à Compreensão, Tradução Leve», que inclui rotinas para apoio monolingue, glossário gradual, tarefas que incentivam a observação e designs de avaliação que recompensam o processamento da L2 em conceitos. O artigo conclui com recomendações práticas para professores e designers de programas.
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